De amoras, amores e mortes
De alguma forma elas estão sempre perto,
olhei pro chão e elas estavam lá;
olhei pro chão e elas estavam lá;
pequenas e (quase)insignificantes
como os pequenos amores;
perigosas e contaminantes
como as pequenas mortes;
(como se chama algo que pode manchar outra coisa tão fácil e intensamente?
o chão e tudo que elas tocavam ficou de um roxo profundo,
púrpura do luto,
sangue venoso.
Elas estavam no chão,
E juntei algumas num canto.
(Tinham de muitas cores, como os amores,
cada uma no seu tempo, na sua cor
as maduras, as verdes, as vermelhas, as roxas, as pretas)
Mas todas estavam lá no chão, como nas mortes,
ritmos diferentes não importam, quando chega a hora de cair do galho,
simplesmente chega,
não faz sentido mesmo.
Simples assim.
E é essa falta de sentido e essa simplicidade que assusta tanto.
(E também assusta porque os amores são do mesmo jeito, não fazem sentido)
Estava confuso.
as amoras estavam lá como amores
as amoras estavam lá como amortes
as amoras estavam lá... como?
Como?
Digerir mortes?
Esfomear amores?
Comer vidamorte?
(saudade é fome que não passa comendo, é fome de presença)




Comentários
Sabemos que a morte tem algo de sublime, talvez algo que um amor nunca alcance..
bjoo
chama ser humano
tbm foi por ele q as amoras foram pisadas.
mas o ser humana é assim, tem o dom de tanta magia e só faz porcaria.
bjoo redszinho
presenças impossíveis
e não adianta, qualquer morte dói.
é digno,
mesmo sabendo que outros possam ocupar / advir dos vazios todos